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Entrevista: Twisted Sister - I Wanna Stop!!!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O vocalista Dee Snider, que veio ao Brasil pela primeira vez com o grupo, comenta o lançamento da nova edição de Stay Hungry, o sucesso que a banda tem feito nos últimos anos, o disco natalino A Twisted Christmas e confirmou que não tem mais vontade de compor e que sua saída do quinteto acontecerá em breve

Antonio Rodrigues Junior e Paula Fabri

“I Wanna Rock” parece que aos poucos está deixando o vocabulário do vocalista Dee Snider, que está preferindo dizer “I Wanna Stop” (Eu Quero Parar). Com mais de 60 anos de idade, o vocalista Dee Snider não esconde mais de ninguém a vontade de encerar sua carreira musical, mesmo com o sucesso que o Twisted Sister insiste em conquistar depois de quase 40 anos de estrada. O grupo, que está lançando uma edição comemorativa de 25 anos do álbum Stay Hungry, desembarcou no Brasil recentemente para seu primeiro show e talvez único em território tupiniquim.

É impossível pensar em Twisted Sister e não lembrar dos clássicos “I Wanna Rock” e “We’re Not Gonna Take It”. As duas músicas estão presentes no álbum Stay Hungry (84) e se tornaram alguns dos maiores sucessos do rock durante a década de 80. Porém tamanha audiência nunca mais foi alcançado pelo grupo, que teve diversos problemas até se separarem em 88. A partir de 99, os integrantes da formação clássica – Dee Snider (vocal), Eddie Ojeda (guitarra), Jay Jay French (guitarra), Mark Animal Mendoza (baixo) e A.J. Pero (bateria) – passaram a se reunir em ocasiões específicas até 2004, quando decidiram regravar o clássico Stay Hungry, rebatizado de Still Hungry.

Dois anos depois, o vocalista Dee Snider esteve prestes a deixar o conjunto, mas decidiu continuar para o lançamento do álbum A Twisted Christmas. Um CD repleto de canções natalinas em versões heavy metal, que acabou se tornando um dos trabalhos mais bem sucedido da carreira do grupo.

Neste ano, foi a vez de lançarem uma edição especial de Stay Hungry, que comemora 25 anos do original. A nova edição, além dos sucessos remasterizados, traz faixas demos e canções inéditas gravadas na época, mas não aproveitadas no lançamento. Além de uma música nova “30” composta recentemente pelo vocalista. O quinteto não tem feito mais grandes turnês, porém os shows esporádicos sempre tem atraído grandes platéias. O mesmo aconteceu na apresentação realizada dia 14 de novembro no Via Funchal, em São Paulo.

Para o ano que vem o conjunto ícone do glam metal promete abandonar a maquiagem e perucas passando a se apresentar de “cara limpa”, o que tem gerado opiniões contraditórias. Mesmo assim o futuro do Twisted Sister é inserto, pois o vocalista continua dando sinais que pretende deixar o grupo e se dedicar exclusivamente aos seus outros projetos, como rádio, televisão e cinema.

Nesta entrevista exclusiva, o vocalista Dee Snider comenta o lançamento da edição comemorativa de Stay Hungry, o material antigo presente na nova edição, as outras canções que ainda sobraram, a música inédita “30”, o eterno sucesso do disco e das faixas “I Wanna Rock” e “We’re Not Gonna Take It”, falou também sobre o trabalho A Twisted Christmas, a repercussão de seu lançamento, o musical que está criando baseado nele e o possível lançamento em DVD. O músico também esclareceu a idéia de abandonar a maquiagem e perucas e adiantou que não tem mais vontade de compor para o Twisted Sister e que sua saída do grupo não deverá demorar a acontecer…

Neste ano, o grupo lançou uma edição comemorativa de 25 anos do álbum Stay Hungry, que já havia ganhado uma outra versão rebatizada Still Hungry em 2004. Por que decidiram lançar esta nova edição comemorativa?

Dee Snider: Na verdade isso virou uma confusão! O que acontece é que na época em que estávamos gravando as músicas de Stay Hungry, a banda começou a ter problemas, entre nós, com a intromissão da gravadora e desentendimentos com o produtor. Então o que resolvemos fazer em 2004, quando nos reunimos, foi regravar as canções e lançá-las da forma que pretendíamos originalmente. Esse exercício serviu como uma terapia. Já o Stay Hungry que está sendo lançado para celebrar seus 25 anos, incluímos material inédito como faixas demo e coisas que gravamos naquela época, mas não entraram no disco. E ainda uma nova música: “30”.

Como você falou esta nova edição contém material inédito, canções que não foram aproveitadas na época. Como foi vasculhar esse material antigo?

Foi algo bem interessante! Apesar de ter escrito todas essas músicas, após tanto tempo, havia esquecido da maioria delas. Olhando as coisas agora, sinto que a decisão certa teria sido gravar um disco duplo.

Então além deste material antigo e inédito incluído no novo disco, houve sobras de estúdio? Como foi escolher o que entraria no repertório ou não?

Ainda temos outras canções. Não estive envolvido na escolha das faixas diretamente, pois além do Twisted Sister tenho mais uma porção de projetos que necessitam de minha atenção. Então o restante da banda reuniu fãs, mas grandes fãs mesmo, e eles ouviram esse material na integra. No final houve uma pesquisa do que eles gostariam de ouvir nesse álbum e a partir disto escolhemos o que seria incluído nesta edição.

Há planos de lançar as composições que mais uma vez ficaram de fora em um disco no futuro?

Espero que não (risos)! Brincadeira! É que não consigo ver as pessoas comprando mais nenhuma edição especial de Stay Hungry (risos)! Já temos o original, a versão especial e a nova… É muita coisa! Mas por outro lado não descarto nada. Me sinto imensamente feliz em saber o quanto este disco foi e é importante para outras pessoas além da banda.

Para o lançamento desta nova edição, o grupo gravou a faixa inédita “30”, que ganhou até um videoclipe. Como esta canção se encaixa em um disco com material tão antigo e o que pode nos contar sobre a gravação e composição desta música?

Não tenho idéia (risos)! É engraçado quando me dou conta que o sucesso do disco se deu quando eu tinha meus 20 anos e que hoje estou com 60. Nunca achei que chegaria até aqui, pensei que morreria antes (risos). Escrevi esta canção quando estava participando de um reality show. Lá tive como companheiros o rapper Bobby Brown, Cisco, Julio Iglesias Jr, Diana que fez o American Idol. A idéia foi unir músicos de estilos musicais diferentes e mandar todos para o Tennessee e nos transformar em estrelas do country. Trabalhamos com compositores especializados e me dei mal, porque o resultado foi que escrevi um rock and roll no qual tive de incluir um banjo (risos). Mas quando sai do programa os caras da banda disseram que queriam gravar esta composição. Ela basicamente fala sobre ser hoje um cara de 60 anos que ainda agita muito, como pode ser visto no clipe, assumindo que já tive 30 anos, mas isto faz muito tempo.

O disco Stay Hungry é definitivamente o trabalho de maior sucesso da carreira do grupo. Mas o lançamento de tantas novas edições não te deixa receoso de que o Twisted Sister fique preso apenas a este álbum?

Não tenho medo, aceito isto! A idéia há cinco anos atrás, era de fazer uma reunião e alguns shows e não reviver a banda. Nos juntamos por todas as razões certas. Isto é, não foi por dinheiro e fama, pois estou indo muito bem com meus outros projetos na televisão e no rádio. O motivo que me fez aceitar isto foi reatar amizades que acabaram de um jeito ruim e concluir minha carreira musical tendo meus parceiros de conjunto como amigos novamente. Temos consciência de que somos um grupo antigo que toca músicas velhas, mas é isto o que as pessoas esperam de nós. Não sinto que tenho de provar nada a ninguém, já escrevi as composições que queria, não sou mais bravo e irritado como no passado. Hoje sou uma pessoa feliz e me deixa mais feliz ainda quando as pessoas vão a nossos shows e saem satisfeitas, pois tocamos todas as canções que eles queriam ouvir.

Esse trabalho ainda é o mais bem sucedido da carreira do grupo muito por causa dos clássicos “We’re Not Gonna Take It” e “I Wanna Rock”. Quando compôs essas músicas passou pela sua cabeça os sucessos que ambas se tornariam?

Já me fizeram esta pergunta por diversas vezes e o que respondo é que não acredito que ninguém dos Beatles, Rolling Stones, Guns N’ Roses e Metallica tinha a consciência do que sua música se tornaria quando estava compondo. Acredito que ninguém é tão metido assim. Bom, talvez Axl (risos). Brincadeira! Acho incrível a magnitude que as faixas deste disco tomaram. Elas são praticamente músicas folclóricas, aonde uma pessoa em qualquer lugar do mundo, alguém que nem imagina quem é Twisted Sister, saberá cantar “I Wanna Rock”.

O último álbum de estúdio do grupo, exceto a nova edição de Stay Hungry, foi o CD A Twisted Christmas (2006), composto por versões heavy metal para canções natalinas. Como surgiu a idéia de fazer este disco?

Para chegarmos nesta decisão houve situações que fizeram com que gravássemos este CD. Já haviam passado dois anos do início de nossa reunião e estava prestes a deixar a banda, pois sentia que a reunião já tinha completado seu objetivo. Já havia negado gravar discos com composições novas algumas vezes e então Jay Jay apareceu perguntando o que eu achava de lançar um trabalho natalino. Aceitei e ele até ficou bobo com minha resposta. Disse sim ao projeto porque lembro que durante os anos 80 nos feriados de final de ano éramos obrigados a ouvir canções de natal regravadas em diversos estilos, por todos e qualquer lugar que fossemos. Tinha a versão disco, reggae, jazz, as clássicas e muitas outras. Isso era irritante e me perguntava porque diabos ninguém havia gravado versões heavy metal? Voltei para casa pensando sobre o assunto, queria convidar músicos para participarem disto, mas como bom americano, só lembro das goteiras quando chove. As festas passaram e acabei esquecendo a idéia. Quando Jay me fez a proposta foi como se 30 anos de memórias guardadas voltassem a minha mente, então aceitei.

Como foi a repercussão deste trabalho?

No final ele foi nosso álbum mais vendido após o sucesso de Stay Hungry. Depois disso Jay veio a mim e disse: “você não pode ir embora agora”. Então decidi ficar na banda. Não tenho mais vontade de compor, então fica complicado continuar tocando no T.S., mas com este sucesso não tive muita escolha.

No passado vocês lançaram um DVD com o material de A Twisted Christmas, você pensa em colocar no mercado um novo vídeo, mas desta vez com o musical?

O processo do musical ainda está no começo. Acabei de compor as canções, mas ainda tem muito de ser trabalhado em cima disto. Patrocínios a serem conseguidos e coisas técnicas a serem feitas. Além disso, ainda temos o problema de agenda. Há 20 anos atrás o Twisted Sister era a prioridade de todos nós, morávamos juntos e só fazíamos música. Hoje a vida é outra, então é uma coisa que demora a ser lapidada. Minha idéia é focar nele durante o inverno, mas tenho planos de rodar um novo filme, Strangeland, e se as filmagens forem começar assim que voltar para casa, o musical ficará para depois. Com sorte, estamos esperando ter algo mais concreto no ano que vem, aí pensaremos em algo como um lançamento em DVD.

Você mencionou não ter mais vontade de escrever para o Twisted Sister assim como a vontade de deixar o grupo. Ao mesmo tempo que diz que não quer desapontar os fãs do conjunto. Não acha que eles sentem falta de material novo?

Não! Estou cansado e não tenho mais vontade de compor coisas novas. Sou uma pessoa que fala o que pensa e acho que não gostaria de lançar uma música de banheiro. Deixa explicar, já vi diversas bandas antigas lançando trabalhos novos e já fui em shows aonde na hora que o grupo anuncia que vai tocar uma composição inédita o público aproveita para ir ao banheiro. É uma coisa massiva. Acho que desapontaria os fãs se o T.S. não tocasse seus clássicos. Amo AC/DC e achei o CD novo bom, mas você vai ao espetáculo e eles selecionam quatro, cinco faixas novas para tocar. No final do show se ouve fãs dizendo: “há gostaria que eles tivessem tocado esta, ou aquela”. Apesar deles fazerem performances de duas horas sempre fica faltando algum clássico. Assim como o Iron Maiden fez há alguns anos, quando tirou a turnê inteira para tocar apenas as faixas do disco que tinha lançado. A reação disto é que eles decepcionaram muitas pessoas que foram assistir ao show e olha que os fãs deles são os mais leais do mundo. Tanto que atualmente a banda estava em turnê tocando apenas seus maiores hits. Nunca sai de uma apresentação com alguém me dizendo que deveria ter tocado tal música, então acho que eles não sentem tanta falta de novidades.

Foi anunciado que a banda deve deixar de usar maquiagem após os shows de divulgação da nova edição de Stay Hungry. O que levou vocês a tomarem essa atitude? É uma maneira de você aos poucos ir se despedindo dos fãs?

Sim! Cada show vou tirando uma parte do corpo até não sobrar mais nada (risos). A verdade é que gosto da maquiagem, do processo de faze-la, mas a decisão foi tomada por diversas razões. Primeiro pela aparência, simplesmente não temos mais 20 anos e depois porque estamos juntos há cinco anos e queremos mostrar o que somos hoje.

Esta decisão de excluir maquiagens e perucas já foi tomada e anunciada. Como tem sido a repercussão desta notícia entre os fãs?

Não sei ao certo se os fãs realmente entenderam que ano que vem não estaremos mais usando maquiagem, já que a notícia saiu faz um tempo e eles continuam nos vendo maquiados. Mas temos recebido mensagens e parte apoiou a decisão e disse estar pronta para ver isto. Outros se dizem decepcionados… Já perguntaram se esta decisão será para sempre. Simplesmente não sei. O que sei é que apesar de termos anunciado isto, os shows para o ano que vem continuam sendo marcados. Na verdade, acho que as pessoas tem marcado mais apresentações pelo fato de que estaremos de cara limpa.

E como foi que a vontade dispensar a maquiagem surgiu?

Uma tradição nossa é que todo show de Halloween tocamos sem maquiagem. Numa época em que todo mundo se transveste, aproveitamos para tirar as nossas fantasias. Há cerca de dois verões, tocamos em um festival que teve o Kiss como banda principal, além de shows com Mötorhead, Whitesnake e Jorney. Tive um problema com meu vôo e para chegar no festival tive de pegar um helicóptero. Cheguei cinco minutos antes de tocar e subi no palco como estava. O público gostou e mais ainda acharam legal o fato de não termos dado desculpas sobre isso ou aquilo. Simplesmente subimos lá e fizemos o que sabemos, isto é, rock. No dia seguinte, voltando para casa, novamente em um avião, vi um homem com o jornal. Lá tinha uma foto enorme minha e pedi que ele traduzisse a resenha. Lá dizia que tínhamos sido o único grupo que havia conectado com 100% do público e o nosso foi a melhor apresentação do final de semana. Então o homem com o jornal disse: “sua foto esta na capa do jornal e não a do Kiss, isto já diz tudo”. E ele tinha razão. Queremos mostrar para as pessoas que sabemos fazer rock sem precisar usar maquiagem.

Você disse que o motivo que te fez aceitar se reunir com seus ex-companheiros foi reatar relacionamentos, reconstruir amizades. Acha que após estes quase seis anos vocês conseguiram superar os problemas do passado?

Sim e não! O sim é porque voltamos a ser amigos e nosso relacionamento é ótimo e uma das razões que falo em deixar a banda é que não quero me ver de saco cheio destes caras novamente. Quero manter o que temos hoje. O não é pelo período no qual voltamos ao estúdio para as regravações de Stay Hungry. Apesar do tempo ter passado e reviver aquilo ter tido um lado muito bom, também teve o negativo, no qual relembramos problemas e situações que deixaram cicatrizes. É como se ter uma namorada e ser traído por ela. Apesar da dor, você se esforça para reconstruir o relacionamento porque a ama e no final as coisas dão certo. Então 20 anos mais tarde se depara com fotos, lembranças que te levam de volta aquela época. A dor também volta e uma coisa que não quero é que tais cicatrizes voltem a abrir.

Você disse estar cansado de escrever para o T.S. e falou que antes de lançar A Twisted Christmas estava deixando a banda. Qual é a principal razão que te faz pensar em deixar o Twisted Sister para sempre?

Não me entenda mal. Amo o que faço. Tenho 60 anos, mas continuo magro, cheio de energia e assim como todo mundo eu mesmo não acredito nas coisas que sou capaz de fazer quando estou em cima de um palco. Mas acho que chega uma hora que temos de ter os pés no chão. Sei que ainda sou capaz de fazer um show inteiro animando cada pessoa presente, mas acho necessário saber a hora de sair de cena. Quero deixar as pessoas com a melhor impressão possível. Que elas se lembrem de mim dando o sangue e não que chegue o dia em que venham até mim e digam: “Dee, acho que deu o seu tempo”.

Entrevista: Kiko Loureiro - Uma Explosão Sonora Cheia De Misturas

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O guitarrista do Angra, que retornou aos palcos recentemente com sua banda, lança seu terceiro álbum solo Fullblast, além de um projeto paralelo que mistura rock e jazz

Antonio Rodrigues Junior

Considerado como um dos maiores guitarristas brasileiros, o músico do Angra, Kiko Loureiro, não tem tempo para descanso. O guitarrista, que voltou aos palcos com sua banda em maio para uma turnê com o Sepultura, está lançando seu terceiro disco solo Fullblast. O novo material instrumental dá continuidade a carreira independente iniciada em 2004.

Com a maioridade atingida ao lado de seu grupo principal, o músico paulistano já se tornou renomado internacionalmente conquistando cada vez mais fãs pelo mundo. Porém sua veia criativa pedia por mais espaço além do Angra e acabou gerando o primeiro álbum solo No Gravity. Um disco instrumental, que apesar de trazer o rock e heavy como base central, abria portas principalmente para elementos da música brasileira. Portas ainda maiores das abertas com sua banda.

Dois anos depois, em 2006, o guitarrista lançou Universo Inverso, seu novo álbum solo e de título mais que apropriado. Nesse trabalho, os papéis de inverteram. A base sonora tinha na música brasileira e latina sua maior força com algumas pitadas logicamente do rock e metal presentes. A dúvida estava no que esperar da seqüência desta carreira solo.

Fullblast chegou às lojas para responder esta questão. O CD é na verdade uma continuação de No Gravity, porém vai além trazendo uma mistura maior dos dois primeiros trabalhos e tempero de orquestração. O compositor também chamou os colegas do primeiro registro: Mike Terrana (Masterplan, bateria) e Felipe Andreoli (Angra, baixo), além de DaLua (percussão), para completarem o material.

Como se não bastasse uma banda principal e uma carreira solo ativas, Kiko também lançou neste ano o projeto Neural Code, ao lado de Cuca Teixeira e Thiago Espírito Santo, no qual a mistura de jazz e rock fala mais alto. Além disso, o músico também tem colaborado com a turnê da vocalista Tarja Turunen (ex-Nightwish) pela Europa.

Mesmo com a agenda recheada de compromissos, o guitarrista do Angra encontrou espaço para conversar a respeito de seu novo trabalho solo Fullblast. Nesta entrevista exclusiva, Kiko também comenta a mistura de elementos oriundos de diversos gêneros e o lançamento do power-trio Neural Code.

Acaba de ser lançado seu terceiro álbum solo Fullblast, que mostra mais algumas de suas influencias musicais. Como foi o processo de composição do trabalho?

Kiko Loureiro: Compor é uma atividade recorrente no meu dia a dia. É comum pegar um instrumento e tocar algo que me vem a cabeça, de forma inédita e de improviso. Muitas vezes estas pequenas idéias ficam depois martelando e procuro gravá-las. Assim fico com inúmeros caminhos musicais diversos, sem ter a pretensão de definidos se usarei para um CD solo ou para o Angra. Em junho de 2008, decidi que era uma boa hora de trabalhar em algo novo, pois a gravadora do Japão me perguntou se não iria lançar outro disco solo, além da sensação de necessidade de mostrar algo inédito, tocar coisas novas. Já estava trabalhando com o Cuca Teixeira e Thiago no Neural Code, mas este trabalho seria outro estilo. Assim, fui juntando e lapidando estas idéias que tinha comigo e produzi uma demo. Em dois meses preparei e organizei canções que já existiam e outras que compus neste período. Fullblast é como uma continuação do meu primeiro álbum. Tem a característica de trazer os elementos que tanto me influenciaram como guitarrista principalmente na minha adolescência. É um material para os amantes de guitarra, não só aqueles que tocam, mas os que apreciam o instrumento e todas as suas possibilidades e sonoridades. É perceptível a influencia dos mestres como Jimmy Page, Jeff Beck, Van Halen, Steve Vai, Satriani, entre outros. Porém, minha busca é atingir uma sonoridade que reflita esta mistura de estilos guitarrísticos americanos e ingleses,nascidono Brasil. Isto é, mesclando com toda nossa bagagem cultural, nossos ritmos, nossa percussão, nossa forma sofisticada de harmonizar, nossas melodias mais sincopadas. É isso que busco no Fullblast, um trabalho de guitarra saído do Brasil, com nossa linguagem neste instrumento nascido em terras estrangeiras.

Ao contrário do disco anterior (Universo Inverso), o novo registro contém apenas composições próprias. Por quê?

Não tem muito planejamento. Tinha material suficiente para o CD solo. No Universo Inverso, queira fazer algo mais em parceria, pois já vinha tocando com o pianista Yaniel Matos (ps: responsável por boa partes das composições daquele disco) por um tempo e tinha esta vontade de gravar algumas canções dele que tocávamos juntos. Por outro lado, o trio Neural Code foi tudo em parceria, pois todas as faixas são dos três.

O novo CD é lançado pouco tempo depois do retorno aos palcos do Angra, que ficou dois anos envolvidos em muita turbulência dentro e fora da banda. Esse período e todos os acontecimentos ocorridos nele influenciaram de alguma forma a composição do álbum?

Influenciou diretamente, principalmente na questão tempo. Estava com tempo mais livre e pude compor e gravar dois trabalhos. E fazer muitas viagens com shows solos, workshops e a turnê da Tarja Turunen. Musicalmente acredito que toda esta turbulência influenciou também é claro, mas daí é mais difícil de explicar ou perceber. A música é a coisa mais importante da minha vida e, portanto, qualquer coisa boa ou ruim que aconteça nela claro que influenciará meu estado de espírito e minha música.

Uma coisa fica bastante clara em qualquer um de seus discos a vontade de unir em um só trabalho todas as suas influencias.

Creio que seja uma coisa natural. Deixo que as idéias rolem sem me preocupar se faz parte ou não do estilo, ou o que as pessoas vão pensar. Como escuto muitos gêneros musicais e toco com diversos artistas de estilos diferentes, isso reflete nesta combinação de minhas composições.

De forma geral, os músicos que colaboraram neste novo CD já haviam gravado com você anteriormente. Você chegou a cogitar contar com outros artistas ao seu lado?

Não! Em maio de 2008, fiz uma pequena tour na Itália com o Mike Terrana e o Felipe Andreoli e, portanto, quis chamá-los para gravar o novo CD. Era a sonoridade mais próxima ao No Gravity que queria, pois sabia que o Neural Code seria completamente diferente.

Aparentemente, o único nome que desfigura de seus antigos lançamentos é o percursionista DaLua.

Gosto do estilo do DaLua, pois ele trabalhou muito mesclando percussão com música pop e com seu grupo Tamboritau, que mistura rock também. Por isso, achei que ele curtiria tocar algo mais pesado e não deu outra. Ele gostou muito de colocar sua percussão em um material mais metal e instrumental. Para ele também foi diferente e desafiador…

Toda essa diversidade sonora presente em seus trabalhos mostra as variadas influencias musicais que recebeu durante a carreira. Porém dentro do heavy metal muitos músicos e fãs torcem o nariz para outros estilos.

Acho normal! Sempre fui muito curioso com a música e gosto de ouvir de tudo. Sei também que outras pessoas são menos abertas. Não vejo isso como uma coisa ruim, acho normal, cada um tem de ser sincero com o que gosta. Se não gosta, não precisa ouvir só porque outros falam que é legal. Assim sei que tem gente que não vai gostar da mistura, outros que gostam de tudo e outros que só gostam quando tem mistura e complicações na música. Para mim está tudo certo, porque no final o que vale mesmo é o ouvinte saber e perceber no som que aquela canção é realmente verdadeira, é realmente o que aquele músico quer dizer. Creio que mesmo aqueles que não gostam do que faço, sabem que é a minha verdade e por isso ao menos respeitam o meu som.

Pouco tempo atrás, você também estava lançando o power-trio Neural Code, no qual ao lado de Cuca Teixeira e Thiago Espírito Santo apresenta uma mistura de rock e jazz. Como surgiu a idéia deste projeto?

Tenho a amizade com Cuca e Thiago por muitos e muitos anos. Já tocamos em diversas oportunidades juntos. Um dia decidimos que tínhamos de compor e registrar algo nosso. Algo com a cabeça dos três, algo que misturasse nossas influencias tão diferentes.

O primeiro álbum chegou às lojas em abril de forma homônima contendo oito faixas instrumentais. O que pode nos contar sobre o trabalho?

O Cuca vem de uma família de músicos e é um artista completo, mas que sempre teve a predileção pelo jazz. O Thiago de mesma forma, também de família de músicos, vem de uma tradição de música instrumental brasileira. Já eu tenho minha formação do rock e metal. Porém todos gostam e transitam por todos estes estilos. Assim quisemos fazer algo com a mão dos três. As canções nasceram todas a partir de jams. O trabalho tem a sofisticação harmônica do jazz com vários ritmos brasileiros e uma sonoridade mais pesada. Procuramos chegar em um fusion brasileiro que fugisse dos padrões comuns com uma certa dose de experimental.

Entrevista: Epica - Música Clássica, Heavy Metal, Punk Rock… Desenhando Seu Próprio Universo

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O conjunto holandês, que pretende gravar um DVD no Brasil, está lançando o quinto trabalho de estúdio Design Your Universe

Antonio Rodrigues Junior e Paula Fabri

Com sete anos de existência, a banda holandesa Epica vem se tornando um dos principais representantes do heavy metal naquele país. O grupo, que está lançando neste mês o novo álbum de estúdio Design Your Universe, mistura diversos elementos indo do gótico ao sinfônico com maestria. Os vocais líricos e femininos de Simone Simons contrastam perfeitamente com os guturais do guitarrista Mark Jansen trazendo mais uma mistura eclética do grupo.

O conjunto formado por Mark Jansen depois que este deixou o After Forever já construiu uma sólida carreira com quatro álbuns de estúdio, sendo que o quinto Design Your Universe está sendo lançado neste mês no exterior. O novo trabalho, que conta com a participação do vocalista Tony Kakko (Sonata Arctica), marca a estréia do guitarrista Issac Delahaye (God Dethroned). O novo integrante chegou ao grupo neste ano substituindo Ad Sluijer, que deixou a banda por motivos pessoais.

O quinteto também lançou neste ano o trabalho ao vivo The Classical Conspiracy – Live in Miskolc, Hungary. O material duplo chama a atenção por ter sido gravado num festival de música clássica, no qual o conjunto aproveitou para mostrar esse seu lado. A primeira parte é basicamente instrumental e traz versões para composições de Antonio Vivaldi, Giuseppe Verdi e Edvard Grieg, além de algumas trilhas sonoras de filmes, como Star Wars, Os Piratas do Caribe e Homem Aranha. Enquanto a segunda conta com os grandes sucessos do grupo acompanhado de uma orquestra de 40 músicos e um coro de 30 vozes.

Nesta entrevista, o guitarrista e vocalista Mark Jansen falou sobre o lançamento do novo álbum Design Your Universe, as diferenças para os anteriores, as mudanças na formação e a participação de Tony Kakko. O músico também comentou o lançamento do disco ao vivo, a apresentação com uma orquestra, a escolha do repertório, o trabalho de preparação e a influencia da música clássica. O líder do Epica ainda adiantou detalhes sobre os planos de gravar um DVD no Brasil, esclareceu os problemas com a antiga gravadora que bloquearam o lançamento do primeiro vídeo-digital, contou sobre o tributo a uma banda punk e muito mais.

O grupo está lançando do novo CD de estúdio Design Your Universe. Conte-nos sobre o novo trabalho.

Mark Jansen: Procuramos nunca esperar muito porque sabemos que cada vez que lançamos um álbum é diferente. Mas a reação das pessoas que tem ouvido o disco e da própria imprensa vem sendo muito boa e torcemos que os fãs também gostem. Para fazer este CD penamos um pouco, foi um período bem louco já que quando entramos em estúdio fazia apenas três meses que Isaac havia integrado a banda. Foi um processo meio complicado, mas o resultado dele valeu a pena.

E por falar no Isaac, o guitarrista foi chamado para substituir Ad Sluijter, que deixou o grupo no ano passado. Por que ele saiu do Epica?

A saída dele foi tranquila e ainda somos amigos. Aconteceu que quando estávamos em turnê pela Europa fui percebendo que ele andava diferente, mais quieto que o normal. Cheguei a perguntar algumas vezes se havia algo errado, mas ele respondia que era o cansaço. Quando estávamos em casa ele me ligou, disse que não sentia mais vontade de passar tanto tempo na estrada e achava que a banda merecia uma pessoa que desse 100% de si. Gostei muito da honestidade com a qual ele falou e pela forma que colocou as coisas não tinha porque tenta-lo convencer do contrário. Assim juntos procuramos por alguém que pudesse substituí-lo e vimos que Isaac seria perfeito para o trabalho.

No lugar de Ad, vocês escolheram o guitarrista Issac Delahaye, do God Dethroned. Por que o escolheram e como foi o convite?

Em 2003, Isaac fez um show com a gente e a apresentação foi incrível. Neste show ele correu de um lado para o outro, mostrou verdadeira vontade de tocar e vimos que se um dia precisássemos de um novo guitarrista ele seria perfeito. Mantivemos contato desde aquela época e ele se envolveu em alguns projetos com outros integrantes do Epica. Então decidimos chamá-lo para fazer parte da banda. Mas ele não respondeu de primeira, já que logo antes de fazer o convite, ele havia comprado uma casa e estava se dividindo entre três outros trabalhos. As coisas não pareciam boas, mas depois de pensar um pouco ele aceitou.

Você mencionou que Isaac integrou o grupo três meses antes de entrarem em estúdio. Então, como ele colaborou para o novo trabalho?

As músicas do novo CD já estavam prontas, assim ele não contribuiu na composição. Mas, como Ad saiu antes de começarmos a trabalhar os instrumentos, Isaac teve a liberdade de trazer idéias e acho que isso deu um bom equilíbrio para o disco. Pessoalmente não sou um guitarrista que gosta de solar e ele, pelo contrário, ama isto, então acredito que as maiores contribuições dele no álbum foram neste aspecto.

Quais são as principais diferenças e semelhanças entre Design Your Universe e os álbuns anteriores?

Acredito que a maior diferença é que tendo Isaac na banda o disco ficou mais pesado. Somos perfeccionistas e, apesar de não acreditar no CD perfeito, acho que este é até o momento o que chega mais próximo disto. Sempre nos preocupamos muito com detalhes, mas neste álbum passamos mais tempo focados nisto e só paramos quando todos amassem cada música. Pensando em semelhanças vejo este registro como um típico trabalho do Epica, com muito coro feito pela Simone, muitos elementos clássicos, baladas. Digamos que é um típico lançamento do Epica, mas com alguns toques novos.

O novo trabalho conta com Tony Kakko, o vocalista do Sonata Arctica, fazendo uma participação especial na canção “White Waters”.

Fizemos uma turnê em conjunto com o Sonata Arctica pelos Estados Unidos e Tony estava sempre em nosso camarim, bebendo e conversando. Não sei ao certo como foi que a idéia surgiu, mas ele aceitou de cara. Quando estávamos gravando, mandamos a música pronta para ele. Pedimos que tentasse uma coisa diferente na gravação e puxasse seu vocal mais para o grave, o contrário do que ele costuma fazer, dando um toque diferente do que as pessoas esperam. Ele fez tudo de seu estúdio na Finlândia, mas o resultado ficou muito bom!

Recentemente lançaram o disco ao vivo The Classical Conspiracy. O material foi gravado no Miskolc International Opera Festival – evento dedicado a música clássica. Como surgiu a oportunidade de participar de um festival deste tipo?

O responsável pelo evento entrou em contato com a gente e disse ser um grande fã. Ele explicou o conceito do festival, mostrou vídeos de quando o Therion participou e perguntou se nos interessávamos em participar. Aceitamos na hora!

O material é dividido em duas partes. A primeira é basicamente instrumental e traz versões de compositores famosos, como Vivaldi, Verdi e Grieg, além de algumas trilhas sonoras de filmes. Como foi que escolheram esta parte do repertório?

Colocamos nossas preferências na mesa e entre tudo o que foi sugerido, com exceção de Ad que preferiu não se envolver no processo, escolhemos o que ficaria melhor com o conceito do festival. Simone escolheu as canções que cantou, escolhi Vivaldi, Yves escolheu as trilhas sonoras junto com Coen. Então não chegamos a discutir sobre isto, foi bem simples e orgânica a escolha das canções.

A segunda parte conta com os grandes sucessos do grupo acompanhado de uma orquestra de 40 músicos e um coro de 30 vozes. Como foi a experiência de tocar com uma orquestra ao vivo?

Como um sonho realizado! Já fizemos tantos shows incríveis durante todos estes anos, mas este foi o melhor de todos. Finalmente tivemos a chance de contar com uma orquestra ao vivo. Tudo soou incrível. Espero que com o crescimento que o Epica vem tendo com o passar do tempo consigamos repetir esta experiência mais vezes.

Um projeto como este deve exigir muito de uma banda que apesar das influencias musicais não esta acostumada a se dedicar tão diretamente a música clássica. Como foi o processo de preparação do repertório e para o evento?

Digamos que foi um processo muito divertido, ao mesmo tempo que muito difícil. Recompor as coisas clássicas e criar uma orquestração para nossas canções foi algo desafiador mais muito bom de se fazer. No total foram cerca de seis meses de preparação. Passamos os primeiros meses focados apenas na adaptação das músicas. Começamos a realmente ensaiar cerca de um mês e meio antes do show. Por ser uma coisa grandiosa o pessoal da organização do festival deu a idéia de ensaiarmos tudo, com todos da banda, orquestra e coro pela última vez no dia do show. Isso fez com que nos desentendêssemos com o maestro que regeu tudo, pois ele fez questão de ter Simone no último ensaio o que preocupou a todos, já que o repertorio era longo e exaustivo. Ela não ficou confortável em passar por este desgaste, com medo de que conseguiria cantar direito na hora do show. Nisto ele ficou apontando a diferença entre cantoras clássicas e de banda de rock, mas no final ela ensaiou e o show foi incrível.

A mistura entre heavy metal e música clássica não é uma novidade, já que há algum tempo muitos grupos são influenciados pelos dois gêneros.

Comecei a ouvir metal na infância, um tempo depois conheci a música clássica e sempre imaginei que seria incrível poder unir os dois estilos. Naquela época eram poucos artistas que haviam se arriscado a implementar elementos clássicos em seus discos de metal. Quando ouvi o que o Orphanage fez ao unir vocais femininos, com guturais e ainda dar um certo groove, vi que era possível. Peguei isto e tentei colocar no After Forever e a partir disso fui desenvolvendo cada vez mais.

Falando em festivais, foi anunciado que o grupo gravaria um DVD no Metal Female Voice Fest (Bélgica). O que a banda pode nos adiantar sobre a gravação deste vídeo?

Na verdade, o que fizemos foi escolher diversos festivais e apresentações que iremos fazer para gravar um DVD e o Metal Female Voice Fest fará parte deste material. A idéia original é gravar um DVD no Brasil em breve e as imagens de outras apresentações entrarem como bônus. Mas isto ainda está sendo pensado e organizado. Vamos ver como as coisas acontecem nos próximos meses e torcer para que isto de certo.

E como tiveram a idéia de filmar diversas apresentações e por que o Brasil seria o principal?

Tive esta idéia na última vez que tocamos no Brasil, quando tocamos para a maior platéia de nossa historia. Já nos apresentamos em grandes festivais para um número de pessoas imenso, mas desta vez todos estavam lá para nos ver e foi muito bom. A energia das pessoas era incrível e acho que ia ser legal gravar algo assim para mostrar para os fãs como é que tem de ser um show do Epica (risos). Além de que tenho pessoalmente uma ligação muito especial com seu País, já que minha namorada é brasileira (risos)…

Falando em DVD, em 2006, vocês gravaram uma apresentação para o lançamento em vídeo, porém problemas com a antiga gravadora impediram sua finalização. O que realmente aconteceu?

Ainda temos um contrato de mais dois discos com a antiga gravadora, mas o que aconteceu foi que gravamos o material e antes de conseguirmos lança-lo o dono da gravadora pediu falência. Quando isto aconteceu pensamos que poderíamos reaver os direitos de nossos trabalhos e lançar este material por nós mesmos, mas ele nos enganou. Antes da falência vendeu os direitos de alguns de seus artistas, dentre eles o Epica, para sua esposa. Assim tudo o que fizemos com eles não é nosso e teve de ficar parado este tempo todo. Na hora ficamos muito bravos com tudo isto, mas acho que em breve esta situação deve se resolver e ainda tenho esperança de lançar aquele material. Mesmo não sendo algo novo, afinal a formação já mudou e temos mais canções em nosso repertório, mas acho que seria algo legal para os fãs.

Neste ano o grupo também gravou uma música para um tributo a banda punk holandesa Heideroosjes. Tratando-se de um estilo totalmente diferente, como foi essa experiência e como este conjunto influenciou o Epica?

É uma banda que está a 20 anos na estrada. Quando era pequeno o show deles foi um dos primeiros que vi e vendo eles no palco que senti que também queria fazer aquilo na minha vida. Sinto que de certa forma se não fosse por este episódio não estaria aqui. Fazer a versão foi bem divertido. Eles moram em uma região perto de onde vivo, cerca de 20 quilômetros e temos um certo contato. Eles me convidaram para participar deste projeto e aceitei. Tive total liberdade para transformar a canção e gostei muito do resultado. Há alguns dias falei com o baterista do grupo e ele disse que todos adoraram a nova versão, o que também me deixa muito feliz.

Show: AC/DC (Estádio do Morumbi, São Paulo, 27/11/2009)

sábado, 12 de dezembro de 2009

A busca por ingressos para o único show do AC/DC do Brasil foi algo impressionante causando congestionamento no site e nas linhas telefônicas da empresa responsável e filas intermináveis nos pontos de venda. O resultado foi o esgotamento dos ingressos em poucas horas e gente cobrando depois duas, três e até quatro vezes os valores para revender. Mas será que a apresentação do AC/DC valeria tanto sacrifício e correria? A resposta foi dada em grande estilo para um estádio do Morumbi com quase 70 mil pessoas.

O dia chuvoso e o trânsito infernal em volta do local não foram suficientes para desanimar os fãs, que desde o dia anterior já acampavam em frente ao estádio repetindo as grandes filas das vendas de ingressos. E durante todo o dia não paravam de chegar mais pessoas de todas as direções. A noite foi caindo e o local ficando cada vez mais cheio, porém antes do grande momento o público deve de acompanhar a performance do vocalista Nasi (ex-Ira!), que ficou responsável pela abertura.

O vocalista e sua banda entraram em cena por volta das 20h30 apresentando alguns sucessos do Ira! e clássicos do rock criados por Raul Seixas e The Clash. A apresentação ainda contou com a presença do guitarrista Andreas Kisser (Sepultura). Porém é necessário dizer que poucas pessoas realmente prestaram a atenção na performance de aproximadamente meia-hora, que passou praticamente desapercebida.

Praticamente em ponto – 21h35 – as luzes de apagaram novamente e foi possível ver milhares de chifrinhos vermelhos na cabeça dos fãs e que estavam a venda durante as horas anteriores. O resultado foi pontos vermelhos espalhados por todo o estádio. Em seguida os três grandes telões (e tenho de dizer de excelente qualidade visual) começaram a transmitir uma animação com os integrantes do grupo. O vídeo trazia um trem em alta velocidade que terminou em um grande acidente, em seguida o telão do meio (e que estava no fundo do palco) se abriu revelando um grande trem com chifres vermelhos. Estava começando o melhor show do ano no Brasil com “Rock ‘N’ Roll Train”, do último disco de estúdio Black Ice (2008).

Era possível ver nos rostos dos fãs a empolgação de ver seus ídolos após 13 longos anos. Em seguida, o vocalista Brian Johnson soltou que “a banda não falava ‘brasileiro’, mas todos ali falavam a língua do rock and roll”. E o clássico “Hell Ain’t A Bad Place To Be” veio na seqüência, o que foi suficiente para levantar o público. “Back In Black” surgiu de forma arrasadora fazendo os fãs pularem como nunca. Naquele momento, muitos já diziam que os altos preços dos ingressos estavam pagos.

A faixa do novo disco “Big Jack” acalmou um pouco os ânimos, mas não esfriou a galera que logo pulou novamente com “Dirty Deeds Done Cheap”. O guitarrista Angus Young e seu uniforme escolar eram um show a parte. Com seus riffs e solos empolgantes, o guitarrista mostrava seus clássicos passos agitando o público. Enquanto, a base sonora de seu irmão Malcolm Young (guitarra), Cliff Williams (baixo) e Phil Rudd (bateria) seguia de forma excepcional. “Shot Down In Flames” deu continuidade ao espetáculo.

A empolgante e energética “Thunderstruck” mais uma vez elevou a voltagem dos fãs com os telões exibindo o raio do logotipo do conjunto toda a vez que a palavra “thunder” era cantada. A animada faixa-título do novo álbum veio na seqüência, sendo seguida pela bluseira “The Jack”.Durante a canção, os telões exibiram as fãs espalhadas pelo estádio (e uma mais exaltada levantou a blusa mostrando o sutiã, o que gerou euforia entre os marmanjos). O guitarrista Angus Young ainda aproveitou o momento para fazer seu strip-tease mostrando sua cueca samba-canção com o logotipo do quinteto.

A banda não dava descanso e o sino localizado no todo do palco começou a descer, enquanto o vocalista agitava o público na passarela que ficava em frente e adentrava vários metros para cima da pista. Em seguida, o que todos esperavam, Brian Johnson correu até o sino e se pendurou para das as badaladas do clássico “Hells Bells”. Mais uma vez era possível ver a agitação de cada um dos presentes, que gritavam o refrão. “Shoot To Thrill” e a última faixa do Black Ice tocada, “War Machine”, deram continuidade a performance. Nesta última, mais uma excelente animação foi exibida nos telões, com imagens de guerra, onde as guitarras eram as armas de fogo.

A seqüência de clássicos que viria em seguida mostrava porque o grupo é um dos maiores nomes do hard rock mundial. “Dog Eat Dog”, “You Shook Me All Night Long” (que foi cantada em uníssono pelo público) e a pesada “T.N.T.” – com seu refrão que é quase um grito de guerra – fizeram o estádio inteiro vibrar e pular – independentemente da idade, já que estavam presentes pessoas das mais diversas gerações, até mesmo pais e filhos.

Convidando uma “antiga namorada” para subir ao palco, uma enorme boneca inflável surgiu sentada em cima do trem vestindo apenas luvas, sutiã e cinta-liga. Estava da hora de “Whole Lotta Rosie” – outro grande sucesso – e mais uma vez imagens das mulheres presentes apareciam nos telões. Ao final da canção, os dois telões do fundo do palco de juntaram novamente formando um telão maior e escondendo tanto o trem quanto a boneca.

“Let There Be Rock” – clássico que dispensa apresentações – encerrava de forma primorosa a primeira parte, que simplesmente não deu tempo para respirar. Durante a canção imagens de toda a carreira e capas dos álbuns piscavam nos telões mostrando que a trajetória do quinteto é longa e muitíssima bem sucedida. O guitarrista símbolo Angus Young aproveitou para fazer seu longo solo de quase 20 minutos, mas que pareciam ser cinco. O músico mostrou toda sua técnica, além de utilizar a passarela em frente ao palco para se aproximar dos fãs. O grande momento foi quando deitou-se no final da passarela para tocar deitado, enquanto a passarela se elevava por vários metros.

Em seguida, o conjunto se despediu e deixou o palco, mas ninguém realmente acreditou que era o fim. Poucos minutos depois, o guitarrista Angus Young surgiu de um alçapão esfumaçado como se estivesse subindo do inferno. Era hora do ponto alto do show, o clássico inesquecível: “Highway To Hell”. A empolgante música agitou até o mais cansado fã do local com seu refrão sendo cantado de forma eufórica por todos os presentes. Na seqüência, os canhões tomaram todos os cantos do palco para o sucesso “For Those About To Rock”. Os tiros dos canhões foram apenas detalhes dentro de tantos grandes momentos do show.

Ao final, o grupo mais uma vez se despede, desta vez para não mais voltar. E o público é saudado com uma grande queima de fogos que enfumaçou o ambiente. Durante a saída não era difícil ouvir elogios sobre o show, na verdade não houve críticas (talvez apenas as longas horas no trânsito depois). O AC/DC não fez apenas um show, mas um grande espetáculo que ficará na memória do público. Realmente, o vocalista Brian Johnson tinha razão. A banda não sabe falar “brasileiro”, mas fala a linguagem do rock and roll como ninguém.

Antonio Rodrigues Junior

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Notícia: Metallica Confirma Show Extra Em São Paulo

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Além dos shows já divulgados em São Paulo e Porto Alegre, o Metallica confirmou uma apresentação extra na capital paulista:

METALLICA - SÃO PAULO
Data: 31 de janeiro
Local: Estádio do Morumbi - Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1
Horário Show: 21h30
Capacidade: 68.000 lugares
Ingressos: www.ticketmaster.com.br (a partir de 14 de dezembro)

Mais informações: www.showmetallica.com.br

Notícia: Iced Earth Confirmado em Curitiba

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A banda Iced Earth confirmou a segunda data da turnê sul-americana no Brasil:

ICED EARTH - CURITIBA
Data: 07 de fevereiro
Local: Master Hall - Rua Itajubá, 143 - Portão
Horário Show: 21h00
Capacidade: 3.400 lugares
Ingressos e informações: www.curitibamasterhall.com.br

Show: Twisted Sister (Via Funchal, São Paulo, 14/11/2009)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

As quase 6 mil pessoas que foram ao Via Funchal no último dia 14 de novembro conferiram um dos melhores e mais quentes shows dos últimos tempos. Muitos dos presentes se surpreenderam com a performance memorável e pela vitalidade do Twisted Sister. O grupo, que veio pela primeira vez ao Brasil e realizou apenas um show, tem divulgado a edição de 25 anos do disco Stay Hungry – o mais bem sucedido da carreira.

Porém a diversão começou antes, por volta das 21h, pois a abertura da noite ficou a cargo do humorístico Massacration. Como a apresentação não foi anunciada, o local ainda estava bem vazio em comparação com uma hora mais tarde. A banda conseguiu alegrar o ambiente com suas sátiras aos clichês do heavy metal, porém ainda faz uma parcela do público torcer o nariz (os caras pagam mais de cem reais para ver o Twisted Sister vestido de “traveco”, se maquiam que nem o grupo e reclamam do Massacration?!).

Os sucessos “Metal Is The Law”, “Metal Massacre Attack” e “Metal Bucetation” foram os pontos altos, mas o grupo aproveitou mesmo foi para divulgar o novo disco Good Blood Headbangers. Ao final da performance de 40 minutos, o vocalista Detonator pediu aos fãs para não irem embora, pois “os garotos que viriam em seguida estão começando e precisavam de uma força”. Apesar dos mais de 50 anos dos integrantes do Twisted Sister, eles realmente parecem garotos em cima do palco.

Depois de quase uma hora de espera, com o Via Funchal lotado e um calor infernal que nem o ar condicionado dava conta, as luzes se apagaram e a canção “It’s A Long Way To The Top”, do AC/DC, serviu de introdução. Logo os músicos começaram a tomar suas posições. “What You Don’t Know (Sure Can Hurt You)” abriu o espetáculo e os fãs começaram a pular ao ver os ídolos com seus trajes típicos dos anos 80.

O carisma dos integrantes e principalmente do vocalista Dee Snider é algo que realmente merece ser comentado. O público definitivamente estava nas mãos da banda, que nem precisou fazer grandes decorações de palco ou pirotecnia para chamar a atenção. “The Kids Are Back” e “Stay Hungry” deram continuidade a performance de alto nível. O grupo trouxe um setlist com os principais sucessos dos quatro primeiros álbuns (e que foram gravados pela formação original), mas o trabalho Stay Hungry foi o mais incluído.

A seqüência inicial foi energética e empolgante culminando no inesquecível clássico “We’re Not Gonna Take It”, que fez a banda parar de tocar e deixar o público cantar sozinho. Foi impressionante ver também que os fãs conheciam todas as músicas e não apenas os dois grandes clássicos do grupo como alguns poderiam apostar. Outros sucessos que também levantaram o público foram “You Can’t Stop Rock N’ Roll” e a balada “The Price” – outra cantada em uníssono.

A primeira parte do show terminou simplesmente com “I Wanna Rock”. A composição, que dispensa apresentação, foi tocada numa versão estendida com direito a vários repetecos do refrão e pedidos para os fãs gritarem e pularem em “Rock!”. Em seguida o conjunto deixou o palco.

Durante todo o show o simpático vocalista falou bastante com o público pedindo desculpas por demorarem tanto para virem ao Brasil e agradecendo a resposta insana dos fãs. Um momento engraçado foi quanto o vocalista se deu conta que seu cabelo estava completamente molhado de suor e, portanto, não mais armado: “esse não é o cabelo do Dee Snider” – disse. Em seguida lhe jogaram uma peruca e ele agradeceu a ajuda.

Já o guitarrista e fundador Jay Jay French pediu ao público que cantasse “Parabéns Para Você” para a filha dele que estava completando 16 anos, no que foi prontamente atendido. O músico pegou uma câmera e filmou tudo.

Depois do pequeno intervalo, o grupo voltou com “Come Out And Play” e seu empolgante refrão. Os integrantes voltaram a deixar o palco por alguns segundos e retornaram com o público gritando o nome da banda. Neste momento, os músicos juraram “por Deus” que esta tinha sido a melhor resposta do público em qualquer show desses mais de 30 anos de carreira e que falariam para os produtores trazerem eles de volta ao Brasil (preferencialmente no inverno – se referindo ao forte calor).

O quinteto fechou o realmente espetáculo com a seqüência “Under The Blade” e “S.M.F.”. Antes desta, o vocalista deixou claro que a banda era formada pelo cinco integrantes originais: Dee Snider (vocal), Jay Jay French (guitarra), Eddie Ojeda (guitarra), Mark Mendoza (baixo) e A.J. Pero (bateria); e não por um, dois ou três como tantas reuniões que acontecem no mundo do rock.

Uma hora e meia foram mais que suficientes para deixar os fãs exaustos e completamente satisfeitos pelo que viram. Dee Sinder vive dizendo que o Twisted Sister é insuperável ao vivo, começo a pensar que ele realmente possa ter razão…

Antonio Rodrigues Junior

Notícia: Iced Earth Na Capital Paulista

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A banda Iced Earth confirmou sua primeira vinda ao Brasil. O grupo liderado pelo guitarrista Jon Schaffer fará apenas uma apresentação em São Paulo conforme detalhes abaixo:

ICED EARTH - SÃO PAULO
Data: 06 de fevereiro
Local: Via Funchal - Rua Funchal, 65 - Vila Olimpia
Horário Show: 22h00
Capacidade: 6.000 lugares
Ingressos e informações: www.viafunchal.com.br

Notícia: Metallica No Brasil Em Janeiro

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Depois de mais de dez anos, o Metallica finalmente volta ao Brasil. O grupo irá realizar duas apresentações em janeiro conforme dados abaixo:

METALLICA - PORTO ALEGRE
Data: 28 de janeiro
Local: Estádio Zequinha - Av. Assis Brasil, 1200
Horário Show: 21h30
Capacidade: 27.000 lugares
Ingressos: www.ticketmaster.com.br (a partir de 03 de dezembro)

METALLICA - SÃO PAULO
Data: 30 de janeiro
Local: Estádio do Morumbi - Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1
Horário Show: 21h30
Capacidade: 68.000 lugares
Ingressos: www.ticketmaster.com.br (a partir de 01º de dezembro)

Mais informações: www.showmetallica.com.br

CD: Epica - The Classical Conspiracy (Nota: 10,00)

Track List:
Disco 1
1. Palladium
2. Dies Irae
3. Ombra Mai Fu
4. Adagio
5. Spider-Man Medley
6. Presto
7. Montagues And Capulets
8. The Imperial March
9. Stabat Mater Dolorosa
10. Unholy Trinity
11. In the Hall Of The Mountain King
12. Pirates Of The Caribbean Medley
13. Indigo
14. The Last Crusade
15. Sensorium
16. Quietus
17. Chasing The Dragon
18. Feint
Disco 2
1. Never Enough
2. Beyond Belief
3. Cry For The Moon
4. Safeguard To Paradise
5. Blank Infinity
6. Living A Lie
7. The Phantom Agony
8. Sancta Terra
9. Illusive Consensus
10. Consign To Oblivion

Line Up:
Simone Simons - Vocal
Mark Jansen - Guitarra / Vocal
Isaac Delahaye - Guitarra
Yves Huts - Baixo
Coen Jansen - Teclado

Review:
O heavy metal e a música clássica têm mais coisas em comum do que a maioria das pessoas pensam. Basta conferir quantos grupos já gravaram trabalhos ao vivo com orquestras sinfônicas, por exemplo. The Classical Conspiracy é mais uma prova disso. Porém o disco duplo ao vivo gravado pelo Epica vai muito mais longe do que qualquer conjunto já vez antes. A começar pelo fato do material ter sido gravado durante o Miskolc International Opera Festival, ou seja, um festival de música clássica. Além disso, o primeiro álbum – quase totalmente instrumental – contém versões de composições de artistas famosos, como Antonio Vivaldi, Giuseppe Verdi e Edvard Grieg, e algumas trilhas sonoras de filmes, como Star Wars, Os Piratas do Caribe e Homem Aranha. Já o segundo CD traz versões para os clássicos da própria banda, que também ficaram excepcionais. Diferentemente da maioria, o quinteto não se satisfez em transformar suas canções em versões orquestradas, mas fez de músicas clássicas alguns dos melhores riffs do heavy metal. Altamente recomendado! (A.R.J.)

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